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Médicos pedem lockdown no Brasil

O Brasil chegou à marca de cerca de 350 mil mortos por covid-19, em
meio ao pior momento da pandemia, caos hospitalar e recordes de mortes,
que já ultrapassaram as quatro mil em apenas um dia. Diante do cenário, o
principal epidemiologista dos Estados Unidos, Anthony Fauci, fez um
alerta afirmando o que especialistas brasileiros dizem há semanas: um
lockdown nacional deve ser considerado seriamente.

Apesar da recomendação para o endurecimento das medidas de restrição
social, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) segue afirmando que
não fará nenhuma medida do tipo a nível federal e critica governadores e
prefeitos que tentam mitigar a pandemia através desses meios. Para o
médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, professor da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e um dos fundadores da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o especialista
norte-americano está correto em sua avaliação.



“Tenho plena concordância com o doutor Fauci, ele está correto ao
propor que este momento, enquanto nós esperamos as vacinas, é um momento
precioso que nós não podemos perder de vista. Temos que conseguir fazer
o possível para que as medidas de afastamento e isolamento social
ocorram para diminuir o número de casos, nós temos um número explosivo
de casos e esse número terá consequências terríveis”, avalia o
sanitarista em entrevista à agência de notícias Sputnik Brasil, que
alerta ainda que em até três meses o país pode alcançar o número de 500
mil mortos.


O médico epidemiologista César Victora, professor da Faculdade de
Medicina da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), concorda com Vecina
e lembra que o fechamento rígido gerou resultados positivos em outros
países.
“Eu não tenho nenhuma dúvida de que o lockdown rígido de duas, três, até
quatro semanas é essencial para controlar a pandemia no Brasil. Países
sérios, europeus, por exemplo, fizeram isso e tiveram grande sucesso em
controlar a curva epidêmica – que nunca foi tão ruim quanto no Brasil.
Nós estamos com UTIs lotadas na grande maioria dos estados, nós estamos
com quatro mil mortes por dia e é incompreensível porque nossos
governantes ainda hesitam em manter um lockdown rigoroso”, afirma.


Da mesma forma, Gonzalo Vecina reforça que o lockdown é a “única
alternativa para diminuir a velocidade do crescimento de casos e
mortes”. Segundo ele, a medida pode assumir características particulares
no Brasil, tendo vista que o país enfrenta dificuldades com restrições
sociais.


“Então pode ser até uma coisa um pouco mais meia boca, mas nós temos
visto que isso dá resultado. Agora quando se fala em lockdown a gente
pensa em ficar em casa, mas lockdown não é só ficar em casa”, aponta o
médico, ressaltando que a medida envolve um amplo projeto.

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